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MULTA DE CANAL VERMELHO CANCELADA – VALORAÇÃO ADUANEIRA

Quando a Receita Federal autuou um importador de smartwatches e microfones sob a acusação de subfaturamento, o caso parecia caminhar para um cenário de alto impacto financeiro: mais de R$ 1,3 milhão em exigências fiscais, baseadas na rejeição do valor de transação e na aplicação direta do sexto método de valoração. A fiscalização utilizou cotações obtidas em plataformas de varejo internacional e consultas realizadas pelos próprios agentes, ignorando documentos idôneos e a ordem sequencial estabelecida pelo Acordo de Valoração Aduaneira.

O problema, porém, não estava nas mercadorias. Estava no procedimento fiscal.

A fiscalização reconhecia que todos os documentos essenciais, fatura comercial, conhecimento de carga e comprovante de pagamento, eram autênticos e compatíveis entre si. Ainda assim, desconsiderou o método principal de valoração sem demonstrar qualquer influência da relação societária entre importador e exportador sobre o preço praticado. Paralelamente, o próprio laudo pericial admitia a impossibilidade de estimar valores de mercado com precisão, fragilizando ainda mais a acusação.

Foi nesse ponto que o escritório Lostado & Calomino Advogados assumiu a condução técnica do caso.

Os advogados Sidnei Lostado e Deborah Calomino desenvolveram uma estratégia jurídica que atacou exatamente as falhas metodológicas da fiscalização. A defesa demonstrou que a rejeição do valor de transação exige motivação objetiva e demonstração inequívoca de que os métodos precedentes são inaplicáveis — algo que não ocorreu. Também evidenciaram que comparativos de varejo internacional não atendem aos critérios técnicos de valoração aduaneira e não podem servir de referência para substituir o valor de transação sem justificativa robusta.

Outro ponto decisivo sustentado na defesa foi a demonstração de que a mera vinculação societária não autoriza o afastamento automático do método principal. Para tanto, seria necessário comprovar que a relação entre as partes influenciou o preço, o que não foi sequer indicado no processo fiscal.

Com base nessa construção, a DRJ concluiu que a autuação padecia de vícios materiais, metodológicos e procedimentais. Reconheceu a ausência de fundamento para rejeitar o valor declarado, invalidou o uso do sexto método e acolheu integralmente a tese defensiva.

O resultado foi a anulação completa das exigências fiscais e das multas aplicadas.

A decisão marca um precedente relevante no cenário de valoração aduaneira: reforça que a atuação fiscal deve observar a ordem sequencial do AVA/GATT, respeitar documentos idôneos e manter coerência técnica na formação do valor aduaneiro. Mais do que isso, evidencia o impacto que uma defesa especializada pode ter na reversão de autuações de grande complexidade.

Para o escritório Lostado & Calomino Advogados, o caso reafirma a importância de unir precisão jurídica, conhecimento técnico e domínio das normas internacionais que regem o comércio exterior. E, para o setor importador, demonstra que rigor metodológico não é apenas uma exigência legal, é a linha que separa uma autuação indevida de uma vitória consistente.

Sidnei Lostado

Advogado e Sócio diretor da Lostado & Calomino Sociedade de Advogados

Mestre em Direito Público pela Uniceb

Pós-Graduado em Direito Tributário pela Unisantos

Professor Universitário Licenciado

Coautor do Livro: Direito Aduaneiro Contemporâneo

Membro da Comissão de Direito Aduaneiro da OAB

Curador do Papo de Comex

Sidnei lostado

Sidnei Lostado, advogado especializado em comércio exterior, mestre em direito, professor de pós-gradução com diversos artigos publicados sobre direito aduaneiro e direito marítimo, sócio da Lostado & Calomino Advogados

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